sexta-feira, 16 de março de 2012

Vagabundo

Com eterna ternura
sustento o pensamento
que vaguea pelo horizonte
águia sequiosa
da eterna luz
olhas as estrelas distantes
livres como tu...

Sou eterno internamente
uma luzinha criada por ti
irradio lua cheia um pouco de calor
em ti sou menino
muito pequenino, mas contente
no colo da mãe terra, semente...
cresci porque vivo.

És eu, como eu
pois em ti sou
luz que foi trevas
e renasci num dia de então
estava sol naquela noite escura
eu não pensava em nada
e agora penso doente
nas trevas que desapareceram
mas estão comigo
até ao dia da minha morte.
Não sei se vivo ou morto
lá chegarei de pé!
se Deus quiser...

terça-feira, 13 de março de 2012

Força do amor



Tudo em mim morre tão lentamente

O sorriso tão vivo de então

Lancei-o ao vento sul, norte, em vão

Meu olhar azul alimenta a mente

Vejo fugir nuvens, longe a gente

As pancadas morrem-me no coração

Tudo o que era belo!... Pura ilusão

Oh! Entristece-me a noite quente.

No comboio triste entrei ascendente

Deslizei nos carris da aventura

Descansei nas praias azuis do mar…

Todas as emoções de antigamente

As atei, só, num molho de ternura

Oh que força em mim tem o verbo amar!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Esperança



Teu olhar de menina, lua cheia

Pálido sentir da noite escura

De gritos, violência, sofrimentos

Que o egoísmo humana, cá, semeia.

Tua cor sofrida amarelada

Está no grito da criança esfomeada

Está no choro da mulher malfadada

Nas vidas inocentes encarceradas.

Não desvendes da noite o manto escuro

Oh deixa-me descansar sossegado

Deixa o sofrimento morrer de sofrer

Temos esperança, vem, ó mundo puro

Traz tua força, deixa de estar calado

Traz contigo um novo amanhecer.

Momento singular

Entrou o luar timidamente

Encostou-se à parede do teu quarto

Desenhando nela uma silhueta de gente

Que olhava teu corpo intensamente.


Aproximaste-te dela de mansinho

Desenhaste-lhe uns lábios quentes

Uns braços fortes, um olhar azul

Com muita ternura, muito carinho!


No silêncio da noite, fez-se gente

Falaram de amor, de aventuras de beijos

Colaram-se devagarinho para sempre


E o luar que lá no alto tudo via

A este milagre calmamente assistia

Ah! Foi-se apagando devagarinho.

PENSAMENTO


A VIDA É CURTA...


Grande é este pequeno pensamento! Será que podemos dizer que a vida é curta? ou será infinitamente para sempre? Depende muito daquilo que se entende por vida...
De facto, daqui tira-se várias ilações. Em primeiro lugar, é preciso aproveitá-la ao máximo. O que é aproveitar a vida? No fundo é sentir a vida. Em segundo lugar, é preciso deixar que os outros também vivam. Respeitar o outro também faz parte da minha forma de viver.
Viver é entregar-se sem medida aos outros e a cada situação. É viver cada instante como se fosse o último.
A vida passa num instante. Aproveita-a. Ama e a tua vida terá sentido...
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.
A vida é maravilhosa, não tenhas medo dela...

Abandonado

Não devíamos olhar para trás
p'ra frente, meus amigos, p'ra frente!
olhar p'ra frente ou p'ra trás, tanto faz?
o mais importante é aquilo que se sente!

conheci-te num longínquo passado
tu eras a razão do meu viver
nunca me senti tão apaixonado
um amor que tanto me fez sofrer

deixaste-me na berma da estrada
sozinho, como um cão abandonado
naquela noite fria e estrelada

perdido andei e desesperado
procurei-te, em vão, por todo o lado
minha eterna perdição, minha amada...

quarta-feira, 7 de março de 2012

Estrela distante

meu barco navega para alto longe
meus sonhos escondem-se entre as nuvens
teu sol aquece-me em noites frias
telemóvel calado... minha dor!

olho no escuro o sol-pôr tardio
deito-me nas ondas, teu corpo distante
refresco-me nas lágrimas, mar salgado
estendo-me nos lençóis de areia fina

a estrela que és tu rompe o meu silêncio
teu sorriso no vento lançado
os guardiões do templo estão tão calados

deixo-me cair pétala a pétala
a rosa desfez-se em aroma fria
resta-me olhar-te, estrela distante...